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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Rolhas & Rótulos


Falando de Vinho

Visionário do Vinho


Há 30 anos o empreendedor Otávio Piva de Albuquerque se arriscava em um negócio quase desacreditado: investir em vinho s importados. Em pouco tempo, sua idéia se transformou na milionária Expand e ele passou a ser reconhecido como o principal responsável pelo desenvo lvimento do setor no País.


por Carlos Marcondes fotos Cleber de Paula

Otávio em seu escritório: ao fundo, caixas de grandes vinícolas parceiras

Uma pessoa tranqüila, de fala suave e de bem com a vida. Otávio faz questão de comentar: "Grande parte desta felicidade vem do vinho, de poder trabalhar com uma paixão". Arrojado e com faro aguçado, o empresário comanda uma das maiores importadoras do país, que oferece mais de 1.500 rótulos de 14 nações, todos eles renomados e provenientes de ícones, como a cobiçada francesa Domaine de la Romanée-Conti e a gigante chilena Concha y Toro. A Expand conta ainda com 36 lojas que levam a sua marca espalhadas por todo o Brasil.

Otávio também desfruta do recente sucesso de um sonho: ter vivido a experiência de passar de importador a produtor. A implantação da vinícola Vinibrasil na região do Vale do São Francisco, em parceria com a portuguesa Dão Sul, tornou-se um case único. Seus vinhos, entre os quais o rótulo Rio Sol, já são encontrados em mais de 20 países.

Depois de mais de cinco anos, desde a concepção até o desenvolvimento do projeto, Otávio acaba de vender sua parte na Vinibrasil para o sócio europeu. A meta é capitalizar a Expand para "expandi-la", elevar o número de lojas para 80 em três anos. Apesar da troca de comando, a parceria segue, e o empresário continuará a distribuir os produtos da vinícola, mantendo a relação próxima ao filho que ajudou a criar.

Em um encontro com diVino, Otávio falou sobre trabalho, família, religião e de momentos especiais nestes 30 anos que lhe valeram muitos brindes.

De família tradicional, você poderia dizer que seu gosto pelo vinho vem de berço?

Na verdade, cresci encantado com as histórias que meu tio, Brigadeiro Piva, contava sobre suas visitas a vinícolas européias. A que mais me fascinava era a que falava sobre um tal de Brunello di Montalcino, cujas garrafas eram colocadas no telhado para descansar, mas o sol forte destruía grande parte dos vinhos. E os poucos "sobreviventes" se transformavam em bebidas sensacionais.

E quando você realmente decidiu apostar no vinho como negócio?

No final da década de 70, eu trabalhava em uma multinacional do setor de investimentos e fui negociar um contrato com a Viña Cousiño Macul, uma das mais importantes vinícolas chilenas. O proprietário, um senhor de 80 anos que me chamava de hijo, vivia em uma propriedade maravilhosa dentro de um parque de 40 hectares em Santiago, às margens da Cordilheira dos Andes. Durante um jantar oferecido a mim e a minha esposa ele perguntou: em que ano vocês nasceram? E então vieram duas garrafas safras 52 e 56. Aquela experiência toda marcou demais.

Era a inspiração que faltava?

Creio que sim. Sonhava em ver mais brasileiros experimentando estes momentos. Percebi que tinha que trabalhar com vinho de algum modo. Foi quando resolvi deixar o emprego numa multinacional e a Cousiño Macul me procurou para que eu a representasse no Brasil. Resolvi arriscar e abri a Expand.

Muitos achavam que você era louco de largar um trabalho estável para entrar num mercado inexistente...

Tinha coragem para apostar. Quem, hoje em dia, entraria num negócio desacreditado? Na época, minha esposa Tânia estava grávida, o que tornou a decisão ainda mais complicada. Mas confio muito na minha intuição e este fator me ajuda a ser empreendedor.

Qual é o sentimento de ser considerado o responsável por abrir o setor no país?

Na época eu pensava: ganha-se pouco mas nos divertimos muito. Um dia vou ganhar mais e continuar tendo ótimos momentos. E é assim que me sinto: realizado em saber que a Expand inaugurou um mercado que contribui para a felicidade das pessoas. O vinho tem a função de unir para celebrar, e trabalhar com isso é bem gratificante.

Em três décadas e centenas de viagens a vinícolas você desenvolveu um excelente faro para buscar grandes vinhos. Quais os segredos para eleger seus produtores?

Analiso dois importantes fatores. Primeiro, a pessoa do produtor. Se ele é ético e se faz a bebida com amor e dedicação. Depois vejo o terroir, pois sem excelentes condições naturais não há enólogos capazes de realizar milagres. Em geral, os bons produtores estão em ótimos locais. E por fim, degusto a bebida para comprovar se estas premissas estão em sintonia. Em geral, funciona bem.

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