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Cabral descobriu o Brasil. E nosso entrevistado desta edição, também Cabral, não se satisfez em experimentar Portugal. Em sua carreira no vinho, já foi 39 vezes para terras lusitanas e entende mais de um de seus símbolos - o vinho do Porto - do que os próprios portugueses. Autor dos livros "Presença do Vinho no Brasil", "Porto: Um Vinho e Sua Imagem" e "A Mesa e a Diplomacia Brasileira", Carlos Ernesto Cabral de Mello está com o próximo livro pronto: o "Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto" será lançado entre abril e maio deste ano. Resultado de um trabalho de cinco anos em parceria com seu amigo português Manoel Joaquim Poças Pintão, a obra traz 3.200 verbetes e 500 ilustrações, fazendo do vinho do Porto o primeiro a ter um dicionário exclusivo.
Hoje você vive do vinho. Com que você trabalhava antes?
Eu trabalhava na área médica, estudei administração hospitalar. Mas, com 30 anos, dei um basta a essa carreira. Resolvi ser feliz e trabalhar com o que eu amava. Já tinha três filhos e meu salário passou a ser um quinto do que era.
E então você fundou a Sbav (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho)?
A Sbav foi a primeira confraria de vinho do Brasil. Eu estava na UD, feira que acontecia no Anhembi, e havia alguns estandes vendendo vinho. Então eu ficava ali observando quem eram os mais interessados e os abordava, dizendo que tinha ideia de fundar uma confraria. Alguns nem davam ouvidos, outros me davam seu cartão. Então, no dia 11 de julho de 1980, éramos 31 pessoas reunidas no restaurante de um dos membros no primeiro encontro da Sbav. Depois de um mês, fizemos uma festa de lançamento. A festa teve duplo sentido porque, naquela mesma data, o jornalista Rodolfo Gamberini, que havia sido sequestrado na Colômbia, era solto. Ele foi escalado para cobrir a nossa festa e, quando chegou, fizemos uma festa para ele.
E o número de interessados cresceu?
Sim, muito. Chegamos a ter 400 sócios e depois abrimos regionais no interior de São Paulo e em vários outros estados, como Ceará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Amazonas. A do Rio de Janeiro é a mais recente.
E qual foi o seu primeiro contato com o vinho?
Com 19 anos, eu fui entregar biscoitos com o meu sogro e, no final do dia, ele comprou um vinho do Porto e me deu de presente. Era um Dom José. Eu provei, gostei, me interessei. Daí comecei a pesquisar e não parei mais. Quando você é autodidata, não tem limite. O conhecimento para mim é infinito. Eu estou aprendendo sobre vinho o tempo todo.
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