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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Harmonização


Casamento Perfeito

American Way


Degustamos especialidades americanas com vinhos e uma cerveja amarga no 210 Diner. Uma história com dois finais felizes.


por Carolina Botelho fotos José Henrique Vieira

Pratos, convidados e vinhos
Entre tantas opções no cardápio, foi difícil decidir o que pedir para nossa harmonização. Então, resolvemos experimentar chicken wings (coxinha da asa do frango empanada, frita e mergulhada no molho barbecue) como entrada e depois o hambúrguer de carne com queijo cheddar, acompanhado de batata frita ou onion rings e salada de alface, tomate e picles.
Contamos com a presença não só da competente sommelière do 210 Diner, Daniela Bravin, mas também do sommelier Gustavo Abreu, do Vito Restaurante, e de Marcel Miwa, consultor especializado em vinho e membro da equipe da diVino, representando as escolhas de Manoel Beato, do Grupo Fasano, que indicou o Angelica Zapata Chardonnay 2006 e o Joseph Drouhin Bourgogne Rouge 2007. "Minucioso que sou, preparei o frango com o barbecue em casa e provei com Painter Bridge Zinfandel 2008. Achei que ficou ótimo e vamos ver o que vocês acham", disse Gustavo, que escolheu o Saint Clair Vicar´s Choice 2008 para harmonizar com o hambúrguer. Para completar, Daniela propôs dois rótulos: o branco Le Cigare Blanc 2004 e o tinto Pisano RPF Petit Verdot 2007 para o frango e o hambúrguer, respectivamente. "De última hora, também acredito que devemos testar um rosé espetacular que tenho aqui, o Estate Dry Rosé of Sangiovese, safra 2007", sugeriu Daniela.

Um bom começo
O clima informal do 210 Diner sugere uma parada rápida no balcão antes de nos sentarmos à mesa para a refeição. Começamos ali a harmonização com as chicken wings e o primeiro rótulo da lista: o branco da Angelica Zapata. "Trata-se de um Chardonnay barricado e essa madeira marcada pode cair bem", disse Manoel Beato no momento da indicação prévia do vinho. Na prática, porém, nossos três convidados presentes na degustação não acharam aquela uma boa pedida. "Nem prato nem vinho cresceram e a presença do álcool é bem marcante", sintetizou Daniela.
O segundo vinho da lista, o Le Cigare Blanc 2004, já saiu ganhando pela autenticidade. "É um vinho moderno, longevo, com corpo médio e boa acidez para quebrar a untuosidade do frango", explicou Daniela. "Temos uma combinação bem diferente do Chardonnay, já que esse exemplar de Sangiovese é mais frutado, trazendo um ataque bom e uma acidez que preenche e limpa a boca", acrescentou Marcel. Gustavo e Daniela também acharam uma boa escolha, apesar do amargor no final.

O terceiro vinho provado com as chicken wings foi o Estate Dry Rosé of Sangiovese 2007, da californiana Alexander Valley Vineyards, conhecido pela boa acidez e pela fruta intensa. "Tem potência aromática para enfrentar o molho barbecue", comenta Gustavo. Marcel achou a harmonização diferente, mas interessante: "A fruta do vinho caiu e levantou o sabor do molho". Depois, foi a vez do Joseph Drouhin Bourgogne Rouge 2007, que simplesmente morreu quando degustado com o frango. "O álcool está forte e o vinho tem caráter quente", disse Daniela. O outro Pinot Noir, o Saint Clair Vicar´s Choice 2008, da Nova Zelândia, também não caiu bem.
Para finalizar, provamos a escolha de Gustavo para acompanhar as chicken wings: o Painter Bridge Zinfandel 2008, do produtor J. Lohr, da região de Paso Robles e Lodi, na Califórnia. De acordo com o sommelier, as características principais desse rótulo são a fruta vermelha exuberante e a carga aromática bem presente, que acabaram por ressaltar a pimenta e a compota. "Quis destacar a tipicidade do vinho e do prato. Foi realmente uma boa escolha", avaliou Gustavo. Daniela e Marcel também gostaram da combinação.

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