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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Rolhas & Rótulos


Falando de Vinho

Vinho bits


Com o Cellartracker, Eric LeVine conseguiu realizar com sucesso a união improvável de dois universos: o da tecnologia e o do vinho. Um marco na história da bebida.


por Carlos Hakim

Como surgiu a ideia de criar o site CellarTracker?
Quando voltei da viagem à Toscana, estava determinado a começar a colecionar vinhos e a aprender mais. Um dos primeiros conselhos que recebi de um colega foi o de manter um registro atualizado sobre o que eu tinha experimentado e o que tinha gostado ou não. Em 2000, montei uma adega em casa, comecei a me aprofundar no assunto e a colecionar em quantidade. Em 2001, vi um quadro de avisos no site do Robert Parker e fiquei impressionado em encontrar tantos outros entusiastas do vinho. Ocasionalmente, surgiam mensagens a respeito de como as pessoas mantinham o registro de suas coleções. Sendo um tecnólogo, isso me fez pensar se haveria uma maneira melhor. Até aquele momento, mantinha em dia minha coleção com o auxílio do Excel, que me permitia fazer uma mistura de tabelas dinâmicas para os relatórios.

Mas minhas anotações sobre degustação não estavam sendo registradas da melhor maneira, já que o Excel é uma ferramenta frustrante para armazenar textos de várias linhas. Então tentei criar uma ferramenta apropriada com um programa de banco de dados no Microsoft Access, mas parei antes de chegar a algo funcional. Por fim, em 2003, durante um período sabático, decidi construir um banco de dados web-based usando o servidor Microsoft SQL. Grande parte do meu objetivo era ter um banco de dados apropriado e hospedá-lo na web para que pudesse acessá-lo de qualquer computador conectado à internet. Assim que consegui algo rudimentar já funcionando, mostrei a dois amigos e fiquei surpreso quando eles se interessaram em usá-lo. Em abril de 2004, decidi ampliar o sistema a fim de acomodar múltiplos usuários.

Atualmente, há quantos usuários, notas sobre degustações e vinhos cadastrados? E quantas visualizações?
Hoje o site tem mais de 107 mil usuários registrados e, provavelmente, 50 mil deles são colecionadores realmente ativos. Eles estão catalogando mais de 18,4 milhões de garrafas e mais de 1,4milhão de registros de degustação da comunidade. O banco de dados total conta com cerca de 750 mil vinhos. O site registra cerca de 500 mil visitas por mês, gerando cerca de 20 milhões de páginas visitadas. Comparado com outros sites sobre vinho, o número de páginas visitadas e o período de tempo da visita tendem a ser mais ou menos o dobro, segundo o que o QuantCast me diz.

Como é a participação do Brasil no site?
O Brasil está em décimo quarto lugar, com pouco menos de mil usuários. Cerca de dois terços dos usuários do site são dos Estados Unidos, seguidos de longe pelo Canadá, pelo Reino Unido, pela Austrália, pela Dinamarca e pela Suécia.

Você pretende lançar o CellarTracker em outros idiomas? Em português, por exemplo?
A longo prazo, espero investir mais na arquitetura do site a fim de capacitar o crescimento para mais usuários fora dos Estados Unidos. Antes de chegar a uma interface do usuário traduzida, provavelmente focaria primeiro em coisas como um suporte capaz de envolver várias moedas estrangeiras (atualmente você consegue usar uma moeda corrente para todas as compras na sua conta), um cadastro de termos específicos para aquela linguagem e um filtro de registros de degustação.

Quais os motivos do sucesso do CellarTracker?
Acho que a decisão de tornar o site bem acessível foi muito importante para alcançar um relevante número de usuários e de dados. Outros sites, como o Vinfolio e VinTrust, começaram na mesma época, em 2004, mas não se concentraram no poder da comunidade. Em contrapartida, minha meta principal era a de fazer com que o CellarTracker melhorasse a cada novo usuário que se associasse e utilizasse o site.

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