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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Aromas & Sabores


Confraria diVino

Pomerol, um pequeno gigante


Nossos confrades degustaram dez rótulos dos principais Châteaux dessa pequena sub-região vinícola de Bordeaux. Um verdadeiro deleite.


por Marcel Miwa


Conforme conseguimos comprovar na degustação de dez grandes Châteaux de Pomerol, não se pode dizer que um estilo seja melhor que outro - são apenas distintos. O interessante da degustação foi notar o quão didáticos os vinhos se mostraram, o que não significa dizer que são simples, aliás, muito longe disso. Os dois superiores foram Latour à Pomerol 1982 e Certan de May 1982, com boa vantagem para o primeiro. Ficou evidente como o poder de uma grande safra pode se manifestar em Bordeaux e como a qualidade é democrática. Cada um pertence a uma das "escolas" citadas anteriormente: Moueix e Rolland, respectivamente. Certamente não faltam adjetivos para descrever ambos os vinhos; entretanto, como tornar tangíveis as sensações que tais vinhos nos trazem? Talvez encontremos alguma resposta ao analisar a beleza clássica e atemporal de Grace Kelly, a emoção transmitida na voz de uma diva do jazz como Billie Holiday ou a história de vida de um virtuose como o maestro João Carlos Martins. Difícil traduzir tais sensações com palavras; agora, é certo que elas existem e são intensas.
Em seguida - e muito próximos - ficaram Le Pin 1986, La Conseillante 2000 e Trotanoy 1982. Le Pin, ao lado de Valandraud, é o maior expoente dos chamados "vins de garage", vinhos produzidos em quantidades minúsculas em Bordeaux - no Le Pin, pouco mais de 1 hectare de vinhedo que produz não mais de 700 caixas de vinho, com qualidade excepcional e preços estratosféricos. Mais uma vez, a didática brilhou, fazendo jus à fama de ter uma evolução mais veloz: o Le Pin mostrou o conjunto bastante integrado e aveludado, com muitas notas terciárias de toffee, couro e azeitona. Já o La Conseillante tem seus vinhedos muito próximos a St-Émilion, que trouxe à tona outro estilo, com fruta (negra) madura intensa e agradáveis notas de carvalho tostado ainda por integrar ao conjunto - com quase dez anos ainda está em plena juventude e tem muito estilo. Trotanoy, mais um representante da família Moueix e de uma grande safra, mostrou-se em ótimo ponto de evolução, com acidez ainda vibrante e notas de frutas vermelhas frescas (ao invés de maduras), tostado e baunilha integradas, adornando todo o conjunto, que se mostrou bastante puro.
Participaram ainda o mito Château Pétrus, de uma safra mais difícil, a de 1987, e os Châteaux L'Église-Clinet 1995, La Fleur-Pétrus 1995 (cujo nome corresponde à localização do Château, entre La Fleur e Pétrus), Le Gay 1998 (propriedade de Michel Rolland) e Vieux Château Certan 2000, este último com potencial e estilo para evoluir como o magnífico Latour à Pomerol 1982. No balanço final da noite, apenas um fator se mostrou ausente, no caso, felizmente. Não houve decepções - ou, como dizem na linguagem futebolística, "zebras". Mesmo o rótulo de uma safra mais complicada, como o Pétrus 1987, ou vinhos ainda muito jovens, como o L'Église- Clinet 1995, o La Fleur-Pétrus 1995 e o Le Gay 1998, mostraram-se bastante acessíveis e capazes de trazer sensações prazerosas a qualquer degustador. Foi uma verdadeira constelação!

José Henrique Vieira

Vinhos degustados
 Château Latour à Pomerol 1982
 Château Trotanoy 1982
 Château Certan de May 1982
 Château Le Pin 1986
 Château Pétrus 1987
 Château L'Eglise-Clinet 1995
 Château La Fleur-Pétrus 1995
 Château Le Gay 1998
 Château Vieux Château Certan 2000
 Château La Conseillante 2000

 

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