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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Degustação

Denominação de Origem



Bairrada

Os solos barrentos da região foram a natureza do nome desta Denominação de Origem localizada na porção central de Portugal, entre as cidades de Coimbra e Aveiro, a Bairrada. Contudo não é apenas esse solo que compõe a área: as castas brancas, por exemplo, são plantadas em solo arenoso. E é também em solo arenoso que são plantadas as videiras de um dos grandes tintos da Bairrada, o Luís Pato Quinta do Ribeirinho Pé-Franco. Essas videiras não possuem enxertia, já que são plantadas diretamente nesse tipo de solo, por isso a referência ao pé-franco. "Isso só foi possível porque o inseto transmissor da phylloxera, praga que devastou a viticultura mundial no século 19, não consegue instalar-se em solos arenosos, tornando desnecessário o uso de portaenxertos resistentes", conta Alexandre Bronzatto, advogado e membro da Confraria dos Enófilos da Bairrada desde 2007.

A DOC Bairrada foi criada em 1979, mas a região tem as primeiras referências escritas sobre a cultura da vinha datadas dos séculos 10 e 11, principalmente em livros dos mosteiros de Lorvão e Vacariça, que promoveram o desenvolvimento da área. Em 1991, a legislação foi alterada e incluiu o rosé e o espumante. O rendimento máximo por hectare das vinhas destinadas aos vinhos com direito à DOC Bairrada é fixado em 55 hectolitros para o vinho tinto e em 70 hectolitros para os vinhos branco, rosado e espumante.

Apesar de sua produção de brancos e espumantes, a Bairrada destaca-se pelos tintos, principalmente pelos vinhos de sua casta típica e também mais plantada, a Baga - uma cepa difícil de ser trabalhada, segundo Bronzatto. "A Baga é uma planta vigorosa, capaz de generosa produção. Ela tem um ciclo vegetativo longo e as diferenças entre as safras são significativas. Dá origem a vinhos de elevada acidez e ricos em taninos, o que pode ser uma virtude ou um problema, dependendo de como a planta será trabalhada", diz.

A potência dos taninos confere aos vinhos uma vantagem no que diz respeito à longevidade. "Seus melhores vinhos envelhecem bem e ficam melhores com o passar dos anos. Quem pretende conhecer toda a potencialidade da região não deve deixar de provar safras antigas, das décadas de 1960 ou 1970, do vinho Frei João Reserva, elaborado pelas Caves São João", sugere o confrade, que torce para que os vinhos bairradinos nunca percam a característica que desde cedo encantou o enófilo: a de serem muito gastronômicos.

A cepa mais utilizada para a produção de vinhos brancos é a Maria Gomes, também conhecida como Fernão Pires, que dá origem a vinhos de média acidez, delicados, muito aromáticos e com notas florais predominantes. Outra casta branca que merece destaque na Bairrada é a Bical, que tem elevada acidez e é bastante usada na elaboração tanto de espumantes como de brancos. Para receber a denominação Bairrada DOC, o vinho deve ser composto por, pelo menos, 85% dessas uvas. No caso dos tintos, a casta Baga deve representar, no mínimo, 50% do corte. Quem quiser conferir bons exemplares da região poderá apostar em produtores como Caves Aliança, Luís Pato, Filipa Pato, Bussaco e Campolargo.

 

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