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Para Paul Hobbs, a uva é como uma esponja que reflete a região |
Michel Rolland está presente no Brasil, atuando na vinícola Miolo |
Eles vivem entre aviões e vinhedos. Centenas de produtores em todos os cantos do planeta gostariam de ter seus vinhos assinados pelos cobiçados consultores. O motivo é simples: o francês Michel Rolland e o americano Paul Hobbs conseguem como poucos elaborar vinhos concebidos de diferentes terroirs, que se transformam rapidamente em sucessos de venda global, graças a uma delicada fórmula, capaz de unir dois estilos antagônicos: personalidade e padronização.
Esta é a receita que Hobbs aplica em mais de 30 projetos, sendo 15 na Argentina e três no Chile, além de vários nos Estados Unidos, no Canadá, na Armênia, na França e na Hungria. "Costumo dizer que a uva é como uma esponja que reflete a região e é isso que procuro buscar em qualquer lugar em que atue; tipicidade e autenticidade", comenta o enólogo.
O simpático americano traz em seu currículo a marca de ter sido um dos responsáveis por consagrar o emblemático vinho californiano Opus One e de estar acostumado a receber notas elevadíssimas do crítico Robert Parker. Hobbs também é considerado, junto com o argentino Nicolás Catena, o enólogo que promoveu a ressurreição da Malbec como varietal-ícone.
Aliás, se há uma segunda casa para ele, seguramente é Mendoza, na Argentina. Além de atuar como consultor em diversos projetos, Hobbs também é proprietário da renomada Viña Cobos, vinícola onde costuma passar alguns meses de seu curto ano.
A caminho de Mendoza, Hobbs parou no vizinho Uruguai, onde ainda não atua como consultor, para comandar uma degustação horizontal harmonizada da linha Bramare, no restaurante St. Tropez, no Conrad Punta del Este Resort e Casino. Foram servidos os varietais Chardonnay 2008, Malbec 2006 e Cabernet Sauvignon 2006, todos corretíssimos, demonstrando a mão calibrada do enólogo em terras portenhas.
Paul Hobbs se diz fascinado pela América do Sul, pelo povo e pela cultura latina. O enólogo não atua como consultor no Brasil - diferentemente de Michel Rolland, que assina rótulos da Miolo -, mas diz que gostaria de conhecer mais os vinhos do país e, quem sabe, também atuar em algum projeto. "O mercado vitivinícola no Brasil está pegando fogo! Anos atrás, só ouvíamos falar em cerveja e caipirinha, e a rápida ascendência do vinho é sinal de que a indústria se tornará muito competitiva nas próximas décadas", prevê.
Guru
Dois dias após a apresentação de Paul Hobbs, foi a vez do Conrad receber o mestre Michel Rolland, que capitaneou uma degustação horizontal do Malbec argentino Miraflor de 2003 a 2006, seguida por um jantar harmonizado com o Sauvignon Blanc e o Pinot Noir também dessa linha, além do renomado rótulo Clos de Los Siete 2007. Rolland é mesmo um "pop star" não somente por ter ampliado sua fama ao participar do filme "Mondovino", mas por ser responsável por mais de 600 rótulos, prestando consultoria a cem vinícolas no mundo. Não é por menos que é considerado por críticos e pela mídia como um dos enólogos mais influentes da atualidade e de maior amplitude de atuação. Durante a coletiva de imprensa, Rolland fez revelações curiosas sobre temas polêmicos, emitindo opiniões com o poder de influenciar muitos enólogos no mundo. A diVino esteve presente nesse bate papo descontraído e em bom castelhano com a estrela global do vinho.
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