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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Pelo Mundo


Falando de Vinho

Dr. Terroir


Consultores de terroir são raros. Nesse cenário, o chileno Pedro Parra tornou-se referência absoluta quando se pensa em terroir na América do Sul.


Por Marcel Miwa

 

Ele tocava saxofone e queria ser músico profissional. O mais próximo que havia entre Pedro Parra e o mundo do vinho era o seu sobrenome. Pois desde o primeiro contato com o conceito de terroir, não parou mais de estudar o tema, que é um dos protagonistas da viticultura. São dele algumas afirmações que causaram polêmica entre enólogos e viticultores, tais como: "O solo não é importante, são as rochas e pedras que fazem a diferença" ou ainda "Porta-enxerto é o maior deturpador do terroir."

 

Como foi sua trajetória profissional até chegar ao status atual e ser conhecido como Dr. Terroir?
Eu estava fazendo um mestrado em geologia cujo tema era ordenamento territorial. Tratava-se de uma tese sobre a utilização de imagens de satélite para definir as culturas mais adequadas a cada parcela de um terreno. Inconscientemente, era uma abordagem próxima à do terroir, mas voltada não só para a viticultura mas para a agricultura como um todo. Então, entre 1997 e 1998, quando fui para a França, tive contato com o conceito de terroir trabalhado nos vinhedos franceses. Voltei para o Chile em 1999 e soube que, nessa época, não existia nenhum trabalho com esse enfoque sendo desenvolvido nas bodegas. Em 2001 voltei para a França, mas, desta vez, por uma necessidade econômica - havia me casado, tinha uma família e estava difícil me manter. O caminho foi buscar uma titulação superior (doutorado) para regressar à faculdade onde lecionava com uma possibilidade de ganhos maiores. Fui para a França, onde desenvolvi meu doutorado sobre o Don Melchor, com o grande apoio da Concha y Toro, em especial de Enrique Tirado. Ele foi a primeira pessoa que acreditou no meu trabalho e, sem isso, certamente eu não estaria aqui.

 

 Pedro Parra diz que o importante é a interpretação do que se pode fazer em determinado terroir


Depois do doutorado, você trabalhou na França?

Não, voltei para o Chile. Durante o curso, tive que viajar muito pela França e uma das demandas era que eu fosse capaz de entregar uma definição de terroir. Para isso, fui orientado a percorrer vinhedos. Comecei na Borgonha e depois segui para Bordeaux. Tive a oportunidade de trabalhar com grandes nomes das duas regiões, que foram pessoas generosas, no sentido de ensinar. Em junho 2003, enquanto ainda estava cursando o doutorado, eu me encontrei com Marcelo Retamal (De Martino) na Vinexpo. Até então, eu não sabia ao certo se trabalharia na área. Marcelo foi a pessoa que despertou minha paixão pelo mundo do vinho. Foi graças às conversas com ele que tive a certeza de que ficaria na área e me tornei consultor da De Martino naquele ano. Terminei o doutorado no fim de 2004 e voltei para o Chile, a fim de ficar mais próximo dos meus clientes da Concha y Toro e da De Martino. Na volta, assumi também a função de consultor para a Matetic. E atualmente trabalho metade do tempo na Argentina e metade no Chile.

Qual o caminho da Argentina? Buscar novas castas emblemáticas ou se aprofundar na Malbec?
Existem claramente essas duas opiniões. Alguns produtores defendem a busca por novas castas, como no caso chileno. Outros acreditam ser possível explorar as diversas expressões que a Malbec pode mostrar em diferentes terroirs. Eu acredito que os primeiros estão equivocados. Não se trata de escolher outra casta e plantá-la. Cada variedade se adapta a determinadas condições de solo e clima. No Chile temos uma grande diversidade de condições, o que não ocorre na Argentina, onde os solos são mais uniformes e não há geologia, são eminentemente solos de erosão.

Você acredita que as novas subdivisões das Denominações de Origem chilenas foram úteis? Além das tradicionais regiões conhecidas de norte a sul, subdividi-las em Andes, Entre Cordilheiras e Costa foi um passo importante para a tipificação dos vinhos chilenos?
Acredito que seja um bom caminho. É preciso ter em mente que existem dois pontos: um é o trabalho técnico fino, que deve ser o mais minucioso possível, e o outro é o trabalho comercial, de marketing e vendas. Se for muito profundo no tema, ficará mais difícil vender. Comercialmente, acredito que o Chile deva aparecer para o mundo dividido em Norte, Centro, Sul, Cordilheira e Costa, cinco coisas diferentes que não criam confusão para o consumidor. Já no aspecto técnico, o trabalho é feito sob demanda. Podemos identificar 30 microparcelas diferentes em um hectare de vinhedo, mas o produtor deve verificar se lhe interessa isolar todas essas parcelas e trabalhá-las de forma customizada.

 

 

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