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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Colunista - Marcel Miwa


Por falar em Vinho


Vinho laranja?


Por Marcel Miwa

Degustador da diVino, Marcel Miwa é especialista em gestão do serviço de vinhos pelo SENAC-SP.

Vinho laranja?
Quem nunca os provou pode achar que se trata apenas de mais um modismo. E tudo começa pelo nome: vinho laranja? Ao buscar o termo na Oxford Wine Companion – a “bíblia” de Jancis Robinson –, o máximo que descobrimos é que “orange” é o nome de uma promissora sub-região de New South Whales, na Austrália. Se nos socorrermos ao Google, veremos que “vinho laranja” é o “resultado da fermentação do suco de laranja”. NDA.

Apesar de raras referências e informações a respeito de sua forma de produção, de forma geral, os vinhos laranja são vinhos produzidos a partir de variedades brancas, que passam por maceração pelicular durante um prolongado período de tempo. Com isso, extraem-se componentes da casca (como nos vinhos tintos), e o vinho resultante adquire coloração dourada/acobreada. Aliás, laranja é a tradução de um anglicismo prático para descrever esse tipo de vinho.

O que se aprende nos manuais é que, para produzir um vinho branco, o mosto extraído das uvas é separado das cascas o quanto antes. Assim se obtém um vinho branco pálido, aromático, sem os componentes fenólicos que poderiam deixar a bebida túrbida e amarga.

Na década de 1980, o bordalês Denis Dubourdieu inovou ao fazer extrações mais longas com a Sauvignon Blanc e a Sémillon na produção dos vinhos brancos de Bordeaux. Ali, a ousadia prescrevia macerações de quatro a oito horas, em temperaturas de até 18 ºC. Os vinhos laranja, por sua vez, permanecem em contato com as cascas por seis ou até sete meses (!) sem controle de temperatura e, em muitos casos, são fermentados (leveduras indígenas) em ânforas de terracota (que são enterradas no chão da vinícola) e revestidos com uma camada de cera de abelha. Isso pode soar como “eu acredito em marcianos”, mas a inspiração é um retorno às origens do vinho. Em torno de 5.000 a.C., os povos habitantes do Cáucaso (na região onde hoje é a Geórgia) produziam o vinho pelo método “kartuli”, realizando largas macerações nos “kvevris” (ânforas).

 

Apesar de raras referências e informações a respeito de sua forma de produção, de forma geral, os vinhos laranja são produzidos a partir de variedades brancas.

 

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