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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Rolhas & Rótulos


Bebendo e Aprendendo

Rolha: a pequena notável


Em se tratando de vinho, os vedantes não são apenas tampas para as garrafas. Conheça as variantes da rolha e saiba quais as vantagens, desvantagens e indicações de cada tipo.


por Bernardo Silveira, AIWS

 

Falar de "vedantes", as diferentes tampinhas que fecham as garrafas, e não parecer um nerd do vinho, um bitolado nos detalhes mais técnicos, é virtualmente impossível. Estamos ou não tratando de uma pequena parte da embalagem da nossa bebida predileta? Você já viu nas mesas de bar ou de restaurante, nos jantares entre amigos, alguém discutindo "tampa assim ou tampa assado" para cerveja? Para água mineral?

O vinho é particularmente diferente. Ao contrário do que acontece com a maioria das bebidas, existem alguns que podem ser guardados e irão se beneficiar desse tempo na garrafa. É aí que entram os vedantes: para que os vinhos possam viver longamente, além de algumas características próprias (em geral, acidez, álcool, sabor e estrutura combinados em um delicado ponto de equilíbrio), é necessário que fiquem protegidos do oxigênio. Ao mesmo tempo, para que ganhem complexidade e riqueza, precisam de uma minúscula e lenta entrada de ar na garrafa. Entendeu? Não se preocupe, é meio esquisito mesmo.

A mera existência de um "debate" sobre o assunto nos diz que nessa toca tem coelho. Mais ainda: que esse seja um dos temas mais acaloradamente discutidos e um dos maiores polarizadores de opinião no mercado de vinhos do mundo todo e que tenha invadido as casas de gente normal por aí, isso dá sérios sinais de que o assunto não é assim, fácil de descartar.

Por um lado, é mesmo um detalhe ultratécnico e pode ser de fato bastante insosso, completamente desconectado do simples prazer de beber e até do prazer intelectual que analisar sutilezas da produção pode trazer para algumas pessoas. Por outro, é difícil até mesmo para o mais ocasional dos bebedores ignorar que as tampas podem afetar diretamente a qualidade dos vinhos que ele bebe, chegando a causar até mesmo a perda daquelas sensações que tanto nos atraem nas nossas garrafinhas prediletas, independentemente do seu preço e origem.

De fato, a questão dos vedantes não deveria interessar a ninguém além dos produtores, que, por motivos óbvios, precisam escolher uma forma funcional e a mais barata possível para fechar suas garrafas. Eu e você, caro amigo, deveríamos nos preocupar somente em saber como abrir a garrafa e ter umas boas taças à mão para beber felizes nossos tintos, brancos, rosés e espumantes. E, no entanto...

Rolha comum de cortiça e sua versão artificial de plástico

Rolha comum: cada vez mais cara
Basicamente, funciona assim: desde que as rolhas entraram definitivamente em voga, ao longo do século 17, nunca encontramos nada que funcionasse tão bem para vedar garrafas de vinho - com alguns senões. A rolha comum é cortada diretamente da casca do sobreiro, uma árvore da família dos carvalhos que é comum em zonas mediterrâneas, mas particularmente difundida na península Ibérica. Sua produção é bastante lenta e, sem dúvida, custosa: são necessários 25 anos para que a casca da árvore tenha espessura suficiente para ser removida adequadamente, mas, para produzir rolhas de qualidade, nada menos que um período de 40 a 50 anos. Após a remoção, uma nova casca leva entre 7 e 10 anos para se formar (sendo 9 anos o padrão para um mínimo de qualidade) e, em geral, a árvore se torna improdutiva após seus 150 anos, ou seja, rende pouco mais de 12 "colheitas".

A casca do sobreiro - que chamamos comumente de cortiça - é bastante particular, pois é grossa e altamente resistente e pode ser cortada da árvore como se fosse uma capa. Ela é composta por uma série de minúsculas bolsinhas cheias de ar e tem uma flexibilidade sem igual: é possível comprimi-la pela metade em uma dimensão sem fazer com que ela se expanda na outra e sem causar danos à sua estrutura.

Essa flexibilidade, somada a uma impermeabilização natural, torna-a um vedante fantástico: permite uma entrada ínfima de oxigênio, protegendo o vinho, enquanto contribui para o seu desenvolvimento; tem durabilidade excepcional, mantendo sua elasticidade e o isolamento por, no mínimo, algumas décadas, se armazenada adequadamente; é razoavelmente fácil de ser removida e pode ser reinserida na garrafa, caso seja necessário transportar algum vinho que sobre.

Na prática, se a rolha não tiver nenhum problema de qualidade, é o vedante ideal para vinhos. "É óbvio que, se não há problemas, não há problemas!", você vai me dizer, com um olhar apertado de censura. A questão é que o número dos problemas em potencial só fez aumentar nos últimos anos, assim como a escala de produção e, portanto, também o tamanho do prejuízo. Por ser um produto natural, a rolha está sujeita a variações significativas e a falhas naturais. O grande problema, no entanto, é a possibilidade de a cortiça armazenar componentes químicos, mesmo em minúsculas quantidades, capazes de arruinar completamente o vinho, causando o famoso "gosto de rolha".

Mais conhecido por seu nome em francês - bouchonné - o "gosto de rolha" não é causado exclusivamente pela rolha em si: é possível encontrar outros alimentos, desde água mineral até frutas secas, com o característico gosto ruim de mofo e pano molhado causado pelas moléculas de tricloroanisol - o infame TCA, a principal substância em questão.

 

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