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Jesús Barquín é o idealizador da Equipo Navazos, junto com Eduardo Ojeda |
Jesús Barquín é professor de criminologia da Universidade de Granada, escritor e grande apaixonado por vinhos. Idealizador do projeto Equipo Navazos - o mais recente grito de reação de Jerez - junto com o experiente Eduardo Ojeda, ele é um dos produtores que estão lutando pela recuperação do alto padrão de qualidade que tornou o vinho do Marco de Jerez mundialmente conhecido.
Conversamos com Barquín e degustamos dez edições de seus cultuados vinhos.
Como começou seu interesse pelo vinho?
No meu caso, como no de muitos conterrâneos, não se pode dizer que o interesse pelo vinho, incluindo os jereces, surgiu em um determinado momento da vida, como uma revelação ou descoberta. Desde que somos pequenos, o vinho é uma parte natural da nossa alimentação cotidiana. Com o passar dos anos, pouco a pouco fui me aprofundando nesse mundo apaixonante e, cada dia, tento aprender algo novo.
Como foi o processo de começar a produzir e engarrafar vinhos?
Começamos em 2005. Fomos movidos pelo puro prazer de ter vinhos que poderíamos chamar de nossos. Produzimos para consumo próprio, sem nenhuma intenção de comercializar. Mas, depois de um ano e meio, quando já havíamos lançado quatro ou cinco edições da série "La Bota de ." (sempre com a indicação "No está a la venta" no contrarrótulo), alguns dos sócios, distribuidores e importadores de vinhos nos convenceram a aumentar a produção para colocar uma parte no mercado.
Muitos jornalistas e especialistas, incluindo Jancis Robinson, afirmam que preferem não correr o risco de produzir algo que habitualmente avaliam profissionalmente.
Profissionalmente, não me dedico a escrever sobre vinhos. Essa é uma área em que desempenho atividade de forma mais amadora, bastante diferente do que fazem os jornalistas e os escritores profissionais. Ainda assim, reconheço que é um tema delicado. Talvez a solução seja um distanciamento progressivo da avaliação de vinhos, especialmente dos tradicionais da Andaluzia. Por exemplo, no livro sobre Jerez que estou escrevendo com a colaboração de Peter Liem, toda a parte relativa à seleção dos produtores e textos de apresentação está a cargo de Peter.
Qual a maneira correta de degustar os principais tipos de Jerez?
O certo é usar taças relativamente grandes, nunca menores que as que normalmente usamos para degustar vinhos brancos.
Hoje a Navazos produz Cava, Brandy e um vinho de mesa, além de Jerez. Há um limite para o projeto ou novos produtos poderão ser criados?
O limite será a nossa própria capacidade física e mental. Não exagero quando digo que temos muitas ideias, mas o tempo disponível é escasso porque nos dedicamos à Navazos somente no tempo livre, como os fins de semana. Até agora, avançamos de forma intuitiva e sem rumo definido, fazendo tudo que apreciamos e que nos parece viável. Provavelmente está chegando o momento em que deveríamos parar um pouco e refletir sobre o que desejamos, mas algo me diz que talvez seja melhor continuar fazendo somente o que nos agrada, sem grandes preocupações. E sem excesso de equipamentos.
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Jesús Barquín, Eduardo Ojeda e Dirk Niepoort: parceria que resultou no rótulo Niepoort Navazos |
Podemos dizer que o vinho do Marco de Jerez é um "vinho de enólogos"? Notei que grande parte da personalidade dele se desenvolve nas botas (barrica de Jerez) e é impressionante a mudança que ocorre em um mesmo vinho de uma bota para outra.
Não acredito que seja tão diferente de qualquer outro tipo de vinho que passa pela barrica ou por tanques maiores. O que surpreende aqueles que se aprofundam pela primeira vez é o contraste com a ideia, criada ao longo das últimas décadas, de homogeneidade e padronização do Jerez. É um grande erro pensar que o Jerez é uma bebida industrial. Os jereces são vinhos e assim devem ser tratados e apresentados.
A filosofia da Equipo Navazos caminha na direção oposta ao tradicional sistema de soleras e criaderas. Da mesma forma que as bodegas trabalham com o conceito single vineyard, o equivalente em Jerez seria o Jerez de "única bota"?
Vejo de outra maneira. Acredito que o terroir de Jerez, de Sanlúcar, de El Puerto e de Montilla, entre outros, seria o conceito para "single vineyard", que forma parte da tradição da região há séculos. É fato que essa tradição está quase perdida, mas voltará.
Qual o seu estilo preferido de Jerez?
Meus preferidos são os finos e manzanillas amadurecidos. São complexos, intensos, harmonizam-se bem com uma variedade de pratos e são fáceis de beber.
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