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Maximilian Riedel, CEO da empresa de sua família na América do Norte |
A pouca idade nunca foi problema para Maximilian Riedel. Ele saiu cedo de casa, na Áustria, viveu um tempo em Paris e, aos 23 anos, mudou-se para os Estados Unidos, onde vive na cidade de New Jersey há 12 anos. A mudança para os Estados Unidos foi uma questão de oportunidade: o plano era que assumisse a posição de CEO da Riedel na América do Norte, o que aconteceu quando tinha 25 anos. Hoje, Maximilian representa a 11ª geração da família e ocupa uma posição de comando na empresa, que, fundada há 250 anos, é a criadora das mais famosas taças de cristal do mundo. Em sua primeira vez no Brasil, ele comandou uma prova com quatro vinhos e quatro diferentes modelos de taça para mostrar a influência de um bom copo na hora de apreciar vinhos.
Aos 23 anos de idade você já era VP da Riedel na América do Norte e, aos 25, foi nomeado CEO . Sentiu alguma dificuldade por causa da pouca idade?
Nos Estados Unidos, nunca. Até hoje, embora esteja envelhecendo (está com 34 anos), não senti qualquer tratamento incomum em razão da idade. Mas, antes de chegar aos Estados Unidos, tinha a perspectiva de trabalhar na Ásia. De acordo com os costumes locais, normalmente, profissionais chegam a cargos gerenciais aos 40 anos. Lá provavelmente seria um pouco mais complicado. Mas, como pude escolher se trabalharia no mercado americano ou no asiático, eu me decidi pelo primeiro.
Mesmo com essa precoce carreira, você já vivenciou duas crises financeiras, a americana, de 2008, e agora a crise europeia. Como isso tem afetado os negócios da empresa?
Eu fiquei feliz pelo fato de tudo estar ocorrendo enquanto ainda sou jovem. Caso contrário, eu já poderia ter sofrido um ataque cardíaco (risos). As medidas que tivemos de tomar não foram tão drásticas para o cenário. Tivemos de enxugar custos e reduzir a equipe, mas tudo foi um grande aprendizado. Meu pai comenta que, apesar das dificuldades, foi importante. Eu vivia em um mundo de sonho, com faturamento crescendo cerca de 40% ao ano. Desde que me tornei CEO, crescemos 500% na América do Norte, e os Estados Unidos se tornaram o maior mercado importador dos produtos Riedel. E ainda lancei a linha bem-sucedida “O”, de taças sem haste. Em algum momento, eu teria de “acordar”, e 2008 trouxe esse choque de realidade. Vivemos ciclos.
E quanto à atual crise europeia?
A crise na Europa impactou menos até agora, pois não está atingindo nossos principais mercados. Nosso mercado de exportação para a Grécia, por exemplo, é pequeno e nossa linha de produtos não está focada nos vinhos gregos, apesar de o país abrigar uma das culturas enólogicas mais antigas da humanidade e de produzir vinho de ótima qualidade. A crise também tem afetado significativamente a economia da Espanha, que para nós, nunca foi um grande mercado, assim como Portugal. Felizmente, até hoje, não temos sentido esses efeitos na Suíça, na Alemanha ou na Áustria, estes, sim, nossos principais mercados.
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Como você vê o mercado brasileiro?
O Brasil está entrando nesse universo e, acredito, estará entre as cinco nações que mais consomem vinhos dentro de mais cinco anos. Mas isso requer educação, seminários, apoio dos representantes locais, da imprensa, todos ajudam para que os novos consumidores sejam mais conscientes sobre o que é o vinho e o prazer que está envolvido no seu consumo. O mundo do vinho é uma evolução, precisa de tempo. Ontem, no Rio de Janeiro, provei pela primeira vez um vinho brasileiro, um Sauvignon Blanc. Há qualidade na produção de vinhos. Leva tempo até que uma cultura se instale, mas o potencial existe.
E quanto aos outros mercados?
Como disse, os Estados Unidos hoje correspondem ao maior mercado da Riedel. A China está entrando nesse universo. Na Europa, os jovens consomem cada vez menos vinho e mais cerveja. Na minha visão, isso acontece porque a cerveja é uma bebida descomplicada, não é difícil de entender suas características e sua qualidade, além de ser mais barata e de ter menor teor alcoólico. Outro fator curioso é que, na Europa, o consumo de vinho é dominado por homens, já na América do Norte são as mulheres que mais compram e consomem vinhos. Meu mercado é majoritariamente composto por mulheres. São elas que decidem o que será servido no jantar, com quais vinhos e quais acessórios. Vejo muitas semelhanças entre o mercado norteamericano e o brasileiro.
Como atrair a atenção dos jovens para a Riedel, cujo produto requer algum conhecimento sobre vinhos?
Isso me parece uma questão de comportamento do consumidor. Os jovens não querem ter de lavar taça por taça, preferem colocá-las numa lava-louças. O espaço onde moram é pequeno, com poucos armários. Por isso desenvolvemos a linha “O”, que, mais informal e com taças sem hastes, tem sido um grande sucesso nos Estados Unidos e na Ásia. Os europeus não aceitam essas inovações tão facilmente, pois são mais conservadores. Foi uma ideia concebida nos Estados Unidos, mas o produto foi desenvolvido e fabricado na Áustria, sede de nossa empresa.
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