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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Histórias que o vinho conta


Adeus ao mito


Apesar de controverso, o enólogo Didier Dagueneau deixa órfãos amantes do vinho, entre amigos e até mesmo desafetos


Por Veridiana Mercatelli

Ilustração: Meire Aparecida de Oliveira


Ele era competitivo, polêmico e provocador, mas também um dos melhores do mundo em sua arte. Em setembro, a queda de um pequeno avião, na região de Cognac, interrompeu a carreira de sucesso do enólogo Didier Dagueneau, aos 52 anos. E levou embora o famoso produtor de Pouilly-Fumé e Sauvignon Blanc, que costumava cobrar preços além dos padrões da região do Vale do Loire, na França, e não poupava de suas críticas os produtores vizinhos.

Em obituário feito pelo jornal americano The New York Times, várias referências à sua imagem rebelde, cultivada ao longo dos anos. Uma delas dizia que, se seus vinhos causavam uma impressão indelével, sua personalidade duplicava isso. E ia além: "Com seu cabelo longo e desgrenhado, barba pesada e maneira franca, o Sr. Dagueneau poderia ser uma presença intimidante". A publicação enfatiza também seu modus operandi, contando que Didier cuidava de seus vinhedos com atenção meticulosa, quase radical, a cada detalhe. Ainda para o NYT, o perfeccionismo em sua vida levaram o enólogo a produzir vinhos que, à primeira prova, eram uma revelação.

Nascido na França, em St. Andelain, em 1956, e membro de uma família cujo ramo de negócios eram os vinhos e uvas, Didier Dagueneau gostava de trabalhar à moda de sua bisavó. Isso significava, em plena década de 1980 (época em que os tanques de aço e a química aceleravam a produção de uvas e vinhos), que Didier preferia manter seus vinhedos orgânicos e envelhecer as bebidas em barricas. Fazia do seu trabalho uma verdadeira arte, com atenção e dedicação extremas.

 

 

 

 

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