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Campos de Cima da Serra, vinhedo premium da Vinha Solo |
Ele não esconde a paixão por seus próprios vinhos nem a fama de polêmico. Responsável por um dos projetos recentes mais interessantes da vitivinicultura nacional, os vinhos Tormentas, Marco Danielle arriscou grande. Hoje artista-vinhateiro, abandonou mais de 20 anos de carreira como fotógrafo e redator publicitário para mostrar ao Brasil que seria capaz de produzir grandes bebidas com o terroir de alguns "cantinhos" do Rio Grande do Sul - empregando uma filosofia artesã de trabalho. E o fez.
Sua história como produtor começou no início desta década, com a descoberta do terroir de Encruzilhada do Sul, distante 170 km da capital, Porto Alegre. Lá conseguiu obter as condições que considerava ideais para a produção de um grande vinho, como baixa produtividade (dois quilos de uva por planta) e colheita tardia (cachos que permanecem até o outono nas parreiras). Surgem então os vinhos Tormentas Premium e Minimus Anima, feitos em seu pequeno ateliê, local em que a assepsia é fator primordial e de onde saem, dependendo da safra, menos de mil garrafas por rótulo.
Recentemente Danielle descobriu, na região de Campos de Cima da Serra, em Caxias do Sul (RS), um projeto que partilha de alguns critérios comuns à sua filosofia de produção e estendeu suas atividades ao novo terroir. Em sociedade com o arquiteto Milton Scola e com o administrador Raimundo Demore, criou a Vinha Solo, vinícola que segue os passos do projeto Tormentas na produção de bebidas de alta qualidade, comparáveis a ótimos rótulos franceses.
Para surpreender e obter vinhos estruturados, capazes de alcançar décadas de guarda, a fórmula é simples, mas delicada: priorizar a vitivinicultura não-intervencionista. "O bom vinho nasce no vinhedo, 95% da qualidade vem da matéria-prima. O restante é cuidar para não prejudicar o trabalho feito pela natureza", explica Danielle.
Nos 20 hectares da Vinha Solo, arquitetonicamente planejados por Milton Scola, predomina o estilo bordalês, e cultivam-se as castas Merlot (70%), Cabernet Sauvignon (20%) e Cabernet Franc (o restante). No vinhedo, não entram herbicidas ou fungicidas nem trator: toda colheita é manual, assim como a seleção das melhores porções destinadas às bebidas premium.