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Poucas siglas no universo do vinho têm tanto peso como as letras MW. A respeitada expert inglesa Jancins Robinson que o diga. Ela foi uma das primeiras mulheres a conquistar o título do renomado instituto britânico Masters of Wine, fator que contribuiu consideravelmente para que se tornasse um dos principais expoentes do setor. A tarefa é tão árdua que, no mundo, existem mais físicos nucleares e astronautas que MW, ou Masters of Wine.
O brasileiro que conseguiu essa façanha é paranaense, da cidade de Marechal Cândido Rondon. Dirceu Vianna mora há 20 anos em Londres, onde atua como diretor da renomada importadora inglesa Coe Vintners. Em seu currículo, registra a proeza de ter sido um dos responsáveis por aumentar as vendas dessa empresa de US$ 28 milhões para US$ 68 milhões, desde que assumiu o cargo de executivo.
Por causa do recém-adquirido MW, Dirceu vislumbra a ampliação de sua atuação profissional, já que o mercado passará a respeitá-lo também como referência mundial. Entre seus planos está a idéia de lançar um portal de internet, de escrever um livro e de fazer algo que o vincule diretamente ao vinho - no Brasil.
De seu escritório em Londres, ele falou com a reportagem da diVino sobre a nova conquista e sobre suas experiências e expectativas quanto ao mercado global.
Como começou sua paixão por vinhos?
No início dos anos 90, quando eu gerenciava um Wine Bar no norte de Londres chamado The Arches. O lugar é um paraíso para enófilos. Na carta havia 20 rótulos quando iniciei o trabalho e hoje existem mais de 300. Lá tive a oportunidade de degustar clássicos como Cheval Blanc 1955, o Lafite 1982, Château Margaux 1985 e o Haut Brion 1990.
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O que o levou a buscar o título?
Queria ser um dos melhores profissionais do mundo. A dedicação necessária para alcançá-lo não é muito diferente de um atleta que treina em busca do ouro olímpico. Dormir e acordar cedo, cuidar da alimentação, ter muita disciplina e, ironicamente, não beber. Além disso, não foi fácil competir com candidatos educados e formados em Harvard ou Oxford.
Como é o processo para se tornar um Master of Wine?
Em geral, 40 candidatos são selecionados para um programa de dois anos. Após concluí-lo, é necessário prestar três provas práticas, de degustação às cegas, para identificar tipo de uva, região de origem, safra, métodos de vinificação e envelhecimento, longevidade e qualidade. Há ainda as quatro provas teóricas sobre viticultura, enologia, marketing e indústria. O processo todo pode levar mais de dez anos, pois as aprovações são bem difíceis. Desde 1953 mais de 2.000 pessoas tentaram, mas somente 277, de 23 países, tiveram sucesso.