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Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Visão verde

Oásis do Vinho


Uma pequena vinícola do Piemonte é das poucas da Europa a conquistar o reconhecimento da entidade mundial WWF por suas práticas ecológicas e de agricultura orgânica


por Carlos Marcondes

A oportunidade de conhecer um santuário de produção de uvas viníferas é uma experiência para lá de especial. Ao visitar a vinícola Forteto della Luja, encravada em um topo de montanha na pequena vila de Loazzolo, próxima à cidade de Asti, na Itália, o turista experimenta uma viagem ao passado, ao modo tradicional de fazer um grande vinho. Melhor ainda, ele comprova que dali saem bebidas premium, puras e produzidas com total integração e respeito à natureza.

Não foi por acaso que o trabalho da vinícola italiana chamou a atenção da WWF (World Wide Fund for Nature), a maior organização não-governamental do mundo de luta pela conservação da biodiversidade do planeta. Após dezenas de visitas aos 12 hectares da propriedade, a direção da entidade decidiu conceder à vinícola o título de Oásis Agrícola, certificação alcançada por apenas dez fazendas em toda a Itália.

São muitas as razões que justificam essa conquista. Proprietária da vinícola, a família Scaglione mantém práticas tradicionais de cultivo, utilizando ainda hoje técnicas que datam de 1826. Naquela época, não eram usados agrotóxicos, inseticidas ou outros tipos de produto químico no plantio. A terra era arada por cavalos, e os insetos, combatidos de forma natural: viravam alimento dos pássaros atraídos por meio de ninhos ali construídos . A colheita era feita manualmente, e os cachos, selecionados "a dedo", em semanas diferentes, já que as porções dos vinhedos não amadurecem de forma homogênea em regiões montanhosas. Na Forteto della Luja, essas técnicas continuam presentes e a antiga receita para obter excelentes uvas é seguida à risca.

Algumas videiras são bem velhinhas, chegando a 71 anos de idade. Forçá-las, jamais. A produção individual é ínfima, apenas 200 gramas de uva por planta. Para compensar, novas mudas foram plantadas - há cerca de 10 mil por hectare. Como resultado, bagos menores, com cascas substanciosas, que proporcionam mais cor aos vinhos tintos e mais sabor aos brancos.

Giovanni Scaglione, que, ao lado de sua irmã, Silvia, coordena a vinícola e representa a quarta geração da família de vinhateiros, explica que manter a produção por meio de um sistema antigo e natural é muito mais trabalhoso do que fazer bebidas usando tecnologias modernas, mas o prazer é compensador. "Optamos pelo tradicional e acreditamos que seja o único caminho capaz de expressar o que realmente queremos imprimir em nossos vinhos", conta.

Além da prática de agricultura orgânica, a WWF também analisou as iniciativas sustentáveis de reutilização de recursos naturais para o funcionamento da fazenda. A Forteto della Luja foi a primeira vinícola do Piemonte a implantar painéis de captação de energia solar para o abastecimento completo da propriedade. São 22 captadores que geram cerca de 10 kw de energia por dia durante todo o ano. Também foram instalados coletores de água em locais estratégicos na fazenda para que a água da chuva possa ser usada para irrigação e outros processos.

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