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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Rolhas & Rótulos


Conversa de Confrades

Compras na adega ou no supermercado?


A presença dos vinhos nas gôndolas ainda divide opiniões. veja o que os especialistas destacaram sobre essa questão


por Claudia Zani / fotos Paulo Uras

De um lado, prateleiras muito iluminadas, uma refrigeração inadequada e garrafas expostas em pé (ato condenável para um vinho). Do outro, produtos de qualidade a preços convidativos. São duas realidades que os supermercados enfrentam desde o momento em que decidiram expor em suas gôndolas vinhos nacionais e importados. Mesmo diante de uma situação tão controversa, a aposta dos supermercadistas vem trazendo bons resultados. Dos 100 milhões de garrafas de vinhos finos consumidos anualmente, os supermercados lideram o ranking de vendas ao consumidor com quase 50%, segundo os dados da International Consulting. As lojas especializadas representam 23% das vendas, seguidas pelos restaurantes, que respondem por 16% delas, e pelas vendas diretas, que totalizam 12%.

Mas então por que comprar vinhos em supermercados ainda causa polêmica? Quais suas vantagens e suas desvantagens? Para ajudar a entender um pouco mais sobre o assunto, a diVino conversou com o enófilo Didu Russo, membro-fundador da Confraria dos Sommeliers, e o consultor de vinhos José Luiz Giorgi Pagliari, da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho (SBAV-SP), ambos a favor da comercialização de vinhos nas gôndolas. E ainda Álvaro Cézar Galvão, consultor de enogastronomia, que acredita que o supermercado seja um mal necessário para o comércio do vinho no Brasil.

Por que existem tantas críticas à venda de vinhos em supermercados?

Russo: A crítica principal recai sobre o modo como os vinhos são armazenados. Ficam em pé, geralmente a refrigeração não é a mais adequada e o critério de oferta também não é muito vantajoso para o consumidor. Além disso, as vendas para os supermercados podem gerar certo prejuízo para as importadoras, pois é repassado a elas, muitas vezes, o custo de exposição, acarretando a baixa qualidade dos vinhos que são oferecidos nas gôndolas.

Pagliari: No mundo do vinho, existem diversos canais de comercialização e cada um tem a sua função. Os supermercados estão aí com um papel importante para o crescimento do consumo do vinho no país. Acho que a crítica maior advém mesmo desses fatores que o Didu- (Russo) comentou.

Galvão: O supermercado é um mal necessário porque é inegável sua contribuição para impulsionar as vendas do produto no Brasil. Além disso, esse estabelecimento é uma vitrine do vinho, ajudando na sua divulgação e comercialização na sociedade. Porém o tipo de armazenamento e a qualidade que se encontra nessas lojas ainda deixam muito a desejar. Os vinhos são maltratados já no recebimento, quando as garrafas são manipuladas de maneira inadequada. Isso sem contar com a exposição em pé e a excessiva iluminação. É esse seu lado ruim.

Mas a venda de vinhos em supermercados tem as suas vantagens, não?

Russo: Sim, é claro. Eu acho que o vinho deveria ser vendido até na praia. Adoraria estar sentado sob um guarda-sol e alguém vir oferecer-me um vinho. Acho que o supermercado tem essa função de contribuir para o aumento do consumo da bebida na sociedade, que ainda crê que o vinho seja só para ricos, o que não é verdade. E acho mais: a força dos supermercados para comprar das importadoras, negociando preços mais acessíveis, faz deles uma ótima opção para quem deseja realizar boas compras. O Pão de Açúcar sozinho pretende vender neste ano 16 milhões de garrafas! É muita coisa.

Pagliari: Também acho que os supermercados sejam um bom lugar para comprar vinhos. E com preços atrativos. No caso de São Paulo, existem vários supermercados que podem atender a diversos estilos de consumidor com muita qualidade, onde se encontram bons rótulos. Eu mesmo tenho o costume de ir ao supermercado para pesquisar. Vou com o meu caderninho de anotações e, às vezes, outros consumidores, por me verem escrevendo, pedem ajuda. Nessas situações, vejo que o vinho vem despertando o interesse das pessoas.

Galvão: Destacaria o nível dos atendentes que as lojas de supermercados disponibilizam para os consumidores. As grandes redes estão investindo em treinamentos, levando esses profissionais para visitar as vinícolas, promovendo cursos e discussões. Isso realmente é muito interessante para os consumidores que ainda têm dúvidas sobre o assunto.

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