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A cena é típica: as pessoas chegam e tomam os seus lugares. O enólogo fica à frente da sala. Em cima da mesa, taças, fichas, canetas e pequenos baldes. Primeiro, é preciso entender que existem dois tipos de degustação: a técnica, geralmente frequentada por profissionais do vinho, e a informal. As regras são as mesmas nos dois casos, com algumas sutis exceções. Aqui damos algumas dicas de etiqueta nos três passos básicos: análises visual, olfativa e gustativa.
Análise visual
É olhando para a taça que conseguimos pistas da bebida que ali está. A cor, as tonalidades e as lágrimas dizem muito sobre a evolução, a maturidade e o teor alcoólico do vinho. Basta inclinar a taça a 45° para ver melhor. "O correto é olhar através da luz com um fundo branco. Observar se o vinho está opaco, se possui impurezas ou partículas sólidas", recomenda João Renato Silva, sommelier do Lola Bistrot. Em uma degustação técnica, é importante anotar essas considerações. Já, com os amigos, simplifique: se o vinho tiver partículas sólidas, por exemplo, a decantação resolverá o problema.
Análise olfativa
Esse é o momento mais passível de gafes. Assim que o vinho é servido, coloca-se o nariz próximo à borda da taça - sem encostá-lo - para sentir as suas primeiras informações, os aromas primários, o aroma da fruta. Em seguida, deve-se girá-la com cuidado, lembrando que a quantidade da bebida servida não ultrapassa um terço da capacidade da taça. Duas ou três giradas a cada vez que se toma o vinho são suficientes para sentir as suas características mais complexas. Ao ser agitado, ele respira e exala os aromas da vinificação, do corte e da madeira. Entretanto, girar a taça sem parar pode "matar" os vinhos jovens e mais simples. Durante a degustação, o indicado é comentar o mínimo possível sobre os vinhos, deixando suas impressões para o final da prova, pois, ao expô-las, uma pessoa pode sugestionar a outra e atrapalhar suas descobertas.