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Vanessa Stefani tem 27 anos e é enóloga da Vinícola Geisse |
Assim como a produção de vinhos finos é uma atividade nova no Brasil, as equipes que gerem as engrenagens da indústria vitivinicultora também são formadas por jovens enólogos. É o que podemos perceber no sul do País, onde se concentram mais de 90% das vinícolas nacionais. As mais conhecidas, como Casa Valduga, Miolo, Vinícola Perini, Cave Geisse, Lidio Carraro, Grand Legado e Villa Francioni, têm um enólogo realmente jovem, na faixa dos 30 anos.
Há apenas dois cursos superiores de viticultura e enologia no País, nos institutos federais do Rio Grande do Sul e de Pernambuco. O do sul, localizado em Bento Gonçalves, oferece a graduação tecnológica desde 1995. A faixa etária dos alunos que ingressaram em 2009 na graduação do IFRS - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, por exemplo, demonstra o interesse dos jovens pela profissão, já que 94% dos alunos matriculados no primeiro ano em 2009 têm menos de 30 anos. "Entre 17 e 20 anos, foram 31 alunos e, entre 21 e 30 anos, 27. Na faixa de 31 a 40 anos, tivemos apenas seis alunos e, acima dos 41 anos, somente um", explica Laura Zandonai Brancher, do Departamento de Relações Empresariais do IFRS, que completa dizendo que a presença feminina já é expressiva na área: "Até hoje, formaram-se 211 alunos, 30% dos quais mulheres".
Para se ter uma ideia mais geral de como a profissão de enólogo é nova, vale a pena lembrar que o exercício da atividade foi regulamentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 29 de maio de 2007 e a ABE, Associação Brasileira de Enologia, foi fundada em 22 de outubro de 1976, ou seja, tem pouco mais de 30 anos. "O mercado está em ascensão. Quem estudar e se profissionalizar terá espaço para desenvolver um bom trabalho e ser remunerado por isso", acredita Christian Bernardi, que tem 29 anos e é enólogo da Wine Park e vice-presidente da ABE - Associação Brasileira de Enologia.
Desafios novos
Em várias empresas do ramo, os jovens enólogos encontram um desafio extraordinário no cenário atual: produzir bons rótulos e, com isso, ajudar a traçar a identidade do vinho nacional. "Cresço junto com o vinho. O mercado é novo para mim, assim como é para o consumidor", acredita Leandro Santini, que tem 26 anos e é enólogo da Vinícola Perini.
Borbulhas com personalidade
"O espumante brasileiro já encontrou seu caminho, assim como os brancos com Chardonnay vão bem por serem frutados e aveludados, o que agrada ao consumidor nacional", diz Bernardi, que acredita que, no Brasil, o vinho tinto ainda esteja em busca da sua identidade: "Os da serra Gaúcha tendem a ser leves, com grau alcoólico menor. Com isso, os rótulos feitos com Cabernet Sauvignon devem perder espaço para os feitos com Cabernet Franc e Pinot Noir". Santini pensa da mesma maneira, sempre apostando que o Brasil vai chegar lá quando o assunto são os tintos: "Estamos percorrendo o mesmo caminho que os espumantes traçaram há alguns anos".