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Nicolas Joly é adepto do cultivo biodinâmico e não usa pesticidas na sua plantação |
Nicolas Joly poderia ser conhecido hoje como um grande executivo da área de finanças e não como o maior nome do vinho biodinâmico, se, em 1977, não tivesse mudado completamente o rumo de sua vida. Nesse ano, ele abandonou a carreira promissora em Londres para se dedicar aos vinhedos da família na França. "Na época, já tinha um conhecimento proveitoso depois de anos de atividade bancária. Mas minha vida estava se tornando vazia e precisava de algo mais", diz.
Logo em 1980, Joly começou a trabalhar com um hectare de vinhedos biodinâmicos e o novo negócio cresceu rápido - em 1984, já eram 12 hectares. "Havia pouquíssimas referências naquele tempo. Foram noites sem dormir e muitas críticas", relembra. O francês afirma que, depois que descobriu a ciência de Rudolf Steiner, fundador da antroposofia, da pedagogia Waldorf e da agricultura biodinâmica, encontrou a sua própria vida e seu destino. Depois de mais de 30 anos de trabalho com vinhedos biodinâmicos, ele só tem um desafio: "Quero dar àqueles que têm um desejo íntimo pela biodinâmica um primeiro acesso a ela, para que possam desenvolvê-la à sua própria maneira".
Joly conversou com a diVino de seu vinhedo La Coulée de Serrant, em Savennières, no Vale do Loire, local em que ele cultiva suas uvas Chenin Blanc e que tem até a própria AOC (Apelação de Origem Controlada).
Como apareceu a agronomia biodinâmica?
Em 1924, Rudolf Steiner decidiu ministrar um curso sobre agricultura, porque o gosto dos legumes e das hortaliças estava diminuindo. Ele achou necessário explicar os efeitos colaterais da agricultura moderna. Anteriormente, ele tinha atuado em diversos campos, inclusive o da medicina.
Quando a produção de vinho passou a utilizar as novas técnicas biodinâmicas?
Nos anos 1970, quando pouquíssimos vinicultores na França (F. Bouchet e Meyer), na Itália e na Áustria aderiram a elas. No final da década de 1980 e durante a década de 1990, desenvolveu-se mais esse tipo de produção. Mas a grande ampliação se deu nos últimos quatro ou cinco anos. Hoje, os efeitos da originalidade no sabor são óbvios para quem prova os vinhos biodinâmicos.
O que acha da intervenção humana no processo de produção biodinâmica?
Ela é essencial, apesar de não se comentar muito isso. Quando algo é feito à mão por uma pessoa que acredita muito no que faz, há certamente um ganho real. Devemos entender que o que chamamos de vida é algo feito de forças e energias, que, por sua vez, são compostas de ondas e frequências que podem ser medidas. Os povos asiáticos as chamam de vibrações. Por meio de seus pensamentos ou sentimentos um ser humano pode atuar sobre qualquer ser vivo. No cultivo de plantas, isso já é conhecido há séculos e chamado de "dedo verde" ou "mão verde". O efeito da ação biodinâmica também vem das pessoas que fazem a dinamização ou que a difundem, até mesmo daqueles que trabalham na propriedade.
O uso de qualquer tipo de aplicação química, como pesticidas ou fertilizantes, é rigorosamente proibido?
Sim, mas não é fascismo. É só porque eles são venenos muito perigosos, que realmente enfraquecem a planta, o vinhedo.O seu uso tem duas consequências, além da poluição que criam: primeiro, eles geram mais sensibilidade às doenças, que, ao longo de décadas, se tornam muito complexas, que chamamos de "doenças novas"; depois, forçam a implementação de tecnologias, como levedura aromática, osmose e enzimas na adega para recriar o sabor que o uso de produtos químicos nos campos enfraquece. É importante lembrar que esse enfraquecimento do sabor vem principalmente do uso de herbicidas, pois estes matam os organismos vivos do solo que ajudam as raízes a se alimentarem, e de inseticidas sistêmicos, que envenenam a seiva, que é a principal fonte do que poderia ser chamado de "sabor climático do vinho".