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Sombra

Edição 21 - Jan/Fev 2012

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Rolhas & Rótulos


Falando de Vinho

Glamour com simplicidade


Dirigente do luxuoso grupo Fasano, Rogério Fasano é um consumidor voraz de vinhos e prega a simplicidade quando se trata da bebida.


Por Giuliana Bastos

Fotos: José Henrique Vieira
Rogério no lobby do Hotel Fasano, em São Paulo

Pode parecer estranho, mas a simplicidade é a palavra que rege a vida do restaurateur Rogério Fasano quando se trata de degustar uma boa taça de vinho. Hoje em dia, Rogério intercala a boa (e nada simples) mesa de seus restaurantes a muitas taças diárias, que somam, em geral, duas garrafas. Esse paulistano, palmeirense roxo, quebra todos os paradigmas futebolísticos ao trocar a cerveja pelo elixir de Baco durante os jogos que são exibidos à noite e questiona os preceitos tão difundidos sobre as harmonizações que incluem hoje até cerveja e café.

 

 


Apaixonado pelos vinhos da Borgonha, ele não se interessa pela opinião de Robert Parker e acha absurdos os preços dos vinhos no Brasil.


Em uma entrevista exclusiva à diVino, conferida no hotel Fasano, em São Paulo, Rogério solta o verbo e fala de tudo, da qualidade do vinho brasileiro à sua preferência desavergonhada pelos vinhos da Borgonha. E não teme mostrar a grande indignação quando fala dos preços dos vinhos no Brasil e do poder conferido a Robert Parker. "Nunca li nada dele. Não me interessa."


Como o vinho entrou na sua vida?
Isso acontece meio que por acaso, não há um momento exato. Acho que todo italiano tem a gastronomia na veia. Como todo francês. Alguns países têm mais essa inclinação. Os almoços de domingo da casa da minha "nonna" sempre foram muito marcantes. Almoçávamos exatamente como toda família italiana almoça. Era tudo muito animado e as conversas giravam em torno da comida. Discutíamos porque o molho de tomate estava melhor ou pior. É algo muito forte.

E como são suas refeições hoje? Você come sempre nos restaurantes?
Janto sempre no Fasano, porque lá só abre à noite. Durante o dia percorro os outros restaurantes, cada dia almoço em um.

Há algum prato preferido?
Não, não. Até porque sou cobaia, né? Tenho que ficar provando de tudo um pouco.

E vinho? Você toma todos os dias?
... (risos)

Quantas taças por dia?
Taças? (risos) Ah, tomo umas duas garrafas por dia.

E sempre são vinhos top ou tem algum dia que vai um vinho mais trivial?
Se fosse só vinho top, eu estaria quebrado. Quando se bebe costumeiramente, não dá para tomar só vinhos assim. A não ser que se esteja obviamente em um patamar de dinheiro top também. Mas procuro sempre bons vinhos, pensando na relação custo-benefício. Já que tomo duas garrafas por dia, eventualmente uma, estamos falando de algo próximo de mil garrafas por ano. Não há como não buscar uma relação custo-benefício.

E há alguma origem que lhe agrada mais?
Ainda acho que os vinhos franceses são muito bons. Para mim, cozinha tem que ser italiana e vinho tem que ser francês. É uma definição um pouco simplista, pois é óbvio que há espetaculares vinhos na Espanha, na Alemanha, na Califórnia, no Chile, mas, para simplificar, diria que os standart dos vinhos franceses dificilmente serão batidos no mundo.

Você tem alguma região de preferência por lá?
A Borgonha.

Por quê?
Um bom Borgonha para mim é único. É algo muito pessoal, mas, para mim, é um vinho que tem aromas inacreditáveis. Consigo tomar mais taças de um bom Borgonha, às vezes até mais que de um bom Bordeaux. Sem menosprezar os Bordeaux, é claro, e obviamente os bons Barolos... Os bons Barolos são vinhos excepcionais. O problema, no entanto, é achar um Barolo de qualidade. É difícil. Quando um Barolo é bom, talvez seja um dos meus preferidos no mundo.

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