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Sombra

Edição 12 - Julho /Agosto 2010

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Vinícola-boutique chilena Tres Palacios confia no potencial do mercado brasileiro de vinhos



A Tres Palacios, vinícola-boutique chilena que está no mercado há cerca de 10 anos, quer ampliar as exportações de vinhos para o mercado brasileiro, que são distribuídos no País com exclusividade pela Enoteca Fasano. Camilo Rahmer, enólogo da empresa, esteve no Brasil para apresentar ao público os diferenciais dos rótulos produzidos por eles.

Como você avalia o consumo de vinhos tintos e brancos no Brasil?

Chama muito a minha atenção o fato do brasileiro apreciar mais os vinhos tintos, em função do clima quente do País, que deveria direcionar o consumidor para os brancos. No mundo, a preferência por brancos e tintos é bem equilibrada, tipo 50% x 50%.  O Chile é muito parecido com o Brasil, com uma população que também aprecia mais os tintos, só que se trata de uma região com clima mais ameno. A Tres Palacios produz cerca de 20% de brancos e 80% de tintos, pois o terroir é esplêndido para esse segundo tipo. O consumo de vinhos no Brasil ainda tem muito a crescer, pois o país tem uma gastronomia fantástica, com muito potencial para a presença de vinhos para acompanhar essas deliciosas refeições. Vinho não é moda, é conhecimento que se integra ao dia a dia.

Como escolheu a profissão de enólogo?

Fui movido pelo interesse em estudar algo que me colocasse em contato com a natureza, fora da cidade. E também minha paixão por vinhos. Trabalho na Tres Palacios desde o início das atividades dela como produtora de vinhos. Conheço cada rincão dos vinhedos, reconheço cada rótulo. Lembro do primeiro vinho produzido. Para uma vinícola-boutique é interessante que o enólogo tenha essa conexão e constância no lugar, pois possibilita ter o conhecimento profundo, essencial, que se amplia ano a ano. É algo como a tradição européia da família no comando das vinícolas, cujo amor e ligação passam de geração para geração.

Como você avalia a evolução dos vinhos da Tres Palacios?

Estão cada vez melhores, especialmente os rótulos da variedade Cabernet-Sauvignon, pois são vinhedos que precisam de um tempo de amadurecimento, que alcançamos agora. Considero o Merlot que produzimos um dos melhores do Chile. Destacamos ainda o Pinot Noir, um sucesso aqui no Brasil, que começamos a fabricar a pedido do próprio Fabrizio Fasano, após ele ter visitado nossa vinícola e experimentado um pouco da bebida que tínhamos para consumo nosso.

De onde vem a história do Chile com os vinhos?

Começa pela temperatura amena e localização geográfica privilegiada do país, de clima mediterrâneo, entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico.  Nossa história vem de séculos atrás, da época das famílias ricas ligadas à mineração de carvão que tinham grandes fazendas na zona central. Elas produziam vinho para consumo próprio, mas cada uma queria se destacar e passaram a importar equipamentos e profissionais da França. Assim, a origem dessa tradição tem raízes francesas.

Quais as dicas que dá para quem deseja entrar mais à fundo no universo dos vinhos?

É fundamental provar, provar, provar. A pessoa pode ler a respeito, consultar guias que trazem informações que ajudam no entendimento, e não deve ter medo de provar e fazer combinações distintas. O vinho é democrático, é para todos e cada um tem seu próprio gosto. Existe uma diversidade maravilhosa de rótulos, pois isso é preciso provar e entender o que mais lhe agrada.

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